| A REFORMA DA LINGUAGEM E OS AUTORES CARIOCAS Já foi dito aqui que o Rio de Janeiro, até o aparecimento do TBC era o único centro gerador de teatro no Brasil. Vários elementos levavam a isso sendo, a partir do século XVIII, a capital da colônia e, a partir do XIX, sede da corte , primeiro portuguesa depois brasileira , bem ou mal o Rio de Janeiro fixou-se como o núcleo da incipiente vida cultural de nossa terra. Cultura tão importada quanto a nossa própria língua, cultura imitada, cultura lentissimamente assimilada e lentissimamente transmutada em uma cultura brasileira. No Rio a vida era um pouco menos agreste e, por isso mesmo, permitia manifestações de arte, por modestas que fossem. E, naturalmente, sendo porto, recebia com facilidade influências vindas de toda parte. A condição de capital teve influência real? Parece que sim: em 1771 o Marquês do Lavradio, vice-rei do Brasil, recebe instruções diretas do Marquês de Pombal a respeito da necessidade da criação de teatros no Brasil como elementos de expansão cultural. As mesmas instruções foram passadas a Mendonça Furtado, capitão do Grão-Pará, porem os esforços lá, sem as condições da vida da capital no Rio, não vingaram.Lastimo não conseguir convencer a mim mesma que o primeiro autor teatral brasileiro tenha sido Antonio José o Judeu, só porque fortuitamente ele nasceu no Brasil,indo para Portugal ainda criança. Mas gosto de lembrar que ainda no seculo XVIII temos o Padre Ventura, o primeiro empresário do Rio de Janeiro, a cujo respeito se sabe pouco mas que parece que era mulato, corcunda, com um defeito em um pé, e que regia a orquestra da Casa da da Opera usando batina e um chapéu de palha. Positivamente já é uma figura brasileira. Mas não vamos fazer o histórico do teatro carioca. É preciso apenas notar que até o momento em que São Paulo se afirma industrialmente e cresce a ponto de dominar economicamente todos os outros estados da federação, o Rio foi a única cidade brasileira a ter ao menos uns poucos vislumbres de uma tradição teatral. |