| ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O TEATRO BRASILEIRO O convite que recebi do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para falar sobre o teatro brasileiro inevitavelmente fez com que eu fosse levada a parar e pensar. Ao longo dos anos vamos sendo bombardeados por informações de toda natureza, e é só quando recebemos um convite como esse, ou melhor, quando somos por qualquer razão pressionados, que tentamos descobri r num plano mais consciente como é que essas informações foram se programando nesse pequeno computador que cada um de nós espera ter funcionando entre as duas orelhas. As informações recebidas nos últimos tempos são, de modo geral, um tanto perturbadoras para quem busca um sentido de brasilidade para o teatro brasileiro, mesmo quando quem o busca, como eu, não acredita, nas coisas das artes, em posições fanática ou tacanhamente "nacionalistas”. Em questões teatrais, talvez seja melhor esclarecer desde início que penso num teatro brasileiro como aquele teatro que, por refletir interesses e preocupações brasileiros terá, por isso mesmo, maiores probabilidades de corresponder aos anseios de um público igualmente brasileiro. Não é uma posição nem muito original nem muito exclusivista: todas as grandes obras dramáticas permanentemente contemporâneas e permanentemente universais foram escritas por autores que se dirigiram muito especificamente a seu povo e a seu momento. Se trago aqui hoje, portanto, muitas perguntas e perplexidades e, infelizmente, nenhuma resposta, é porque as informações recebidas nos últimos tempos parecem constituir uma quebra no caminho difícil, lento, árduo e extremamente complexo da formação daquilo a que poderíamos realmente chamar de um teatro brasileiro. E, para poder chegar às nossas perguntas e perplexidades de hoje, será preciso voltar atrás para dar uma olhada rápida pelo processo de desenvolvimento por que passou esse teatro até chegarmos onde estamos. |