| O Anti Realismo Nada facilita tanto a tarefa de se apresentar um período da história do drama quanto a distância de vários séculos. E por isso mesmo o anti-realismo de que será .preciso falar hoje , tentativa mais que difícil já que ainda hoje toda a atividade teatral do ocidente está a braçada com as inquietações e perplexidades que provocaram seu aparecimento. Diante desse panorama assustador, a opção que acabei por fazer foi a de tentar colocar os condicionamentos que levaram não ao anti-realismo mas aos anti-realismos, já que eles foram e continuam a ser vários. E talvez seja melhor partir de dois pontos de referência bem antigos: por um lado, Shakespeare,no Hamlet diz que a função do teatro é e sempre foi a de literalmente segurar um espelho ante a natureza, enquanto que Aristóteles, em sua Poética, diz que das seis partes que compõem a tragédia a menos importante é a da decoração cênica, ou cenografia, ou como queiram chamá-la, porque muito embora possa ser bela e atraente ela é a mais artificial, a menos semelhante à poesia. Assim, o que aconteceu foi que, pelas necessidades impostas ao teatro como espelho da natureza, a ascenção da burguesia e o advento da Revolução Industrial conduziram ao aparecimento do Realismo e do Naturalismo, que já foram aqui apresentados e que se caracterizaram, ao menos em parte, por um óbvio empobrecimento de todas as linguagens dramáticas e teatrais - inclusive a verbal - na medida que seu próprio objetivo como estilo ou gênero - e eles são, afinal, tão estilos, tão manipulados para a configuração da fábula da estrutura dramática, quanto qualquer outro - seu objetivo, dizia, é transmitir uma imagem embora uma imagem criada, trabalhada, manipulada, de alto nível de semelhança com os comportamentos, os ambientes e as formas de expressão da vida real. É exatamente isso que faz com que o Realismo tenha tão maiores possibilidades de ser mal escrito por maus autores do que alguns outros, de maiores exigências formais. |