| Aspectos e Perspectivas do Teatro Inglês Contemporâneo O convite da Sociedade Brasileira de Cultura Inglêsa para esta palestra foi tão honroso para mim quanto perigoso para ela. A visão que um estrangeiro possa ter de um teatro com o qual não pode ter contato permanente é, necessariamente, uma visão limitada. Pessoalmente - de corpo presente - não tive a oportunidade de conhecer mais do que 41 espetáculos ingleses do após-guerra, e se desse número quisermos selecionar o que pode ser realmente considerado representativo do teatro britânico contemporâneo, chegaremos a um número muito mais reduzido. Essa pequena experiência pessoal tem sido suplementada, na medida do possível, por leitura - leitura de todos os textos dramáticos que me caem nas mãos, e leitura de jornais, revistas, publicações especializadas e livros sobre o assunto. Apresento de início essas explicações apenas para que fique bem claro, a todos os que me ouvem, que estou de pleno acordo com os que possam julgar que há uma certa presunção de minha parte ao aceitar o convite que me foi feito. Mas peço, por outro lado, que acreditem que não foi só por pretensão que aceitei... Antes pelo desafio de tentar formar um panorama de algum modo coerente dessa dramaturgia inglesa da qual tenho por tantas vezes me ocupado em aspectos particulares. Se já me permiti a presunção menor de opinar sobre autores individuais, permito-me agora a mesma coisa, apenas em maior escala. Numa palestra sobre o teatro britânico, minha posição poderá ser definida por um ditado em inglês: "Fools rush in, where angels fear to tread" O teatro britânico contemporâneo, seja no aspecto que tem apresentado nos últimos quinze anos, seja em suas perspectivas futuras, é caótico, do mesmo modo que é caótico em praticamente todos os países onde não exista uma tradição tão forte que não permita qualquer criação moderna de grande peso, tal como seja o teatro oriental, ou um dirigismo estatal que determine o gênero e o tom a serem utilizados, como aconteceu na União |