| HAROLD PINTER Harold Pinter é, sem dúvida, o mais significativo dos autores ingleses vivos, com uma presença que se tornou marcante junto com a primeira leva de renovação, ou revolução, que se iniciou quando George Devine, por volta de 1955, assumiu a direção do Teatro Royal Court.Ao apontar Pinter como o maior, não estou sendo injusta para com Samuel Becket: eu disse inglês, e Becket é irlandês. Pinter, segundo consta, é descendente de uma família de judeus portugueses de nome Pinto, e nasceu na área leste, a mais pobre, de Londres, em outubro de 1930. Seu amor e seu talento pelo e para o teatro já começaram a se revelar quando ele ainda era um adolescente no colégio e, após um breve período de empregos sem interesse e de pouca duração, ele se matriculou na consagrada Royal Academy of Dramatic Art quando tinha 18 anos. A fome teatral de Pinter, no entanto, não foi satisfeita pela disciplina e controlada progressão da RADA, e ele abandonou o curso, a fim de ingressar logo no que o interessava, a prática teatral, passando a integrar várias das incontáveis companhias profissionais, de repertório, que costumam percorrer o Reino Unido, tendo adotado, como ator, o nome de David Baron. Enquanto ainda era principalmente ator, Pinter experimentou escrever ficção narrativa, mas em 1957 já estava enveredando pelo caminho da dramaturgia. É mais do que significativo o fato de sua primeira peça a alcançar palcos profissionais seja “The Room”, encenada primeiro por alunos da Universidade de Bristol e, a seguir, pelo Bristol Old Vic. O fato é significativo porque uma das grandes características da obra de Pinter, de forma ainda mais marcante em sua fase inicial, é justamente a de, na ação, termos um quarto, ou uma sala (o termo room, é claro, significa ambas as coisas, é apenas um cômodo), que é uma espécie de útero, de universo protetor, onde os |