| A IMPORTÂNCIA DO "VESTIDO DE NOIVA" Não é comum, nos últimos quinhentos anos, que uma peça específica, inesperada e sem precedentes, determine tão claramente o início de uma nova fase do teatro de um país, assim como comumente é dito que acontece com o “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, que estreou em 1943. Podemos dizer que o “Tamerlão” de Christopher Marlowe e a “Tragédia Espanhola” de Thomas Kyd são a marca do início do teatro elisabetano, no inverno de 1587-88, mas essa foram apenas a manifestação definitiva de uma dramaturgia que já vinha sendo formulada havia alguns anos; O memorável “Cid” de Corneille não existiria sem a obra do não prestigiado Alexandre Hardy, assim como o próprio Ibsen reconhecia que, para o seu novo realismo aprendera muito com a peça bem feita de Eugène Scribe. No caso do “Vestido de Noiva”, no entanto, realmente a impressão que fica é a de que o aparecimento da peça em si, como o de sua posição crucial no nascimento do moderno teatro brasileiro sejam tão miraculosos quanto o de Palas Atena, que nasceu adulta e armada da cabeça de Zeus. Seria falso negar que o teatro brasileiro vinha passando por momentos de inquietação e busca, do mesmo modo que o próprio Brasil já vinha há algum tempo começando a se mostrar mais interessado em buscar uma identidade sua: das artes em que podem afirmar-se os talentos individuais, artes plásticas, poesia, romance, já fala a Semana de Arte Moderna de 22, enquanto o teatro passa ileso por ela, talvez por não oferecer um panorama de |