os que estão conversando, e que ficam ainda muito mais ferinos quando se trata de algum grupo rival, sendo que se o texto é bom, todos terão absoluta certeza de que ‘aqueles malditos não entendem o que estão fazendo, não perceberam seu significado ou suas maiores belezas, e só o montaram porque sabiam que nós estávamos fazendo planos de montá-lo no ano que vem’.

A verdade é que uma certa postura crítica é parte da criação, até mesmo no caso dos mais naïf dos artistas, já que este, mesmo que não o saiba expressar em termos de alguma estética definida, olha o mundo à sua volta, seleciona o motivo para sua criação, concebe como deverá apresentá-lo, e com cuidado trabalha todo e qualquer material que venha a usa da execução de sua concepção, porque – mesmo que tenha sido por tentativa e erro – acaba por descobrir que o barro que usa não pode conter mais do que determinado percentual de água, ou que todas as vezes em que o azul e o amarelo se mistura, o que fazia ficou verde.

A não ser pelos comentários que observam, por exemplo, que o pôr-do-dol de hoje foi mais bonito do que o de ontem, ou que o céu sombrio cria um clima mais triste do que o ensolarado, só a natureza, de fato, fica isenta da crítica (mesmo que não das queixas), ou seja, não fica em discussão o fato de o pôr-do-dol ser acadêmico em sua composição e uso de cores: a natureza. É, ela afeta a nós, não nós a ela; e a primeira coisa que temos de lembrar ao falar de crítica é a necessidade de se ter permanente consciência de que a arte é artificial, um produto do esforço humano; e que a respeito de tudo o que é feito pelo homem existe sempre a curiosidade sobre como foi possível fazê-lo e quais os métodos urilizados, bem como uma infalível tendência para se avaliar se foi bem ou mal

 

ANOTAÇÕES SOBRE A CRÍTICA pág. 2