| assim: A MULHER SEM PECADO, sua primeira peça, é de 1941, mas Dulcina e Odilon tinham ido aos Estados Unidos em 37 e trazido toda espécie de idéia nova sobre qualidade de montagem, tendo constatado que em Nova York o teatro de divertimento, como eles faziam, era montado com o mesmo cuidado dado ao drama ou as clássicos; em 1938, por outro lado, inspirado pela energia de Paschoal Carlos Magno – o diplomata que constatara em Londres o quanto Shakespeare era montado e o quanto ele era popular, o Teatro do Estudante do Brasil havia encenado ROMEU E JULIETA com direção de Ester Leão; e havia também, ou principalmente, a influência de OS COMEDIANTES, o grupo que montou o VESTIDO DE NOIVA, vinha trabalhando desde o final dos anos 30, e era formado por gente que não só conhecia muito bem a dramaturgia européia como havia trazido para o seu âmbito o polonês refugiado de guerra Zbigniev Ziembinski. Isso sem falar dos consagrados Procópio Ferreira e Jayme Costa, que vinham fazendo carreiras teatrais de sucesso já havia muito tempo. Nada disso diminui o talento ou a criatividade de Nelson Rodrigues, mas o faz viver em um Rio de Janeiro onde já se fazia muita coisa de teatro. Martins Penna, no entanto, escreveu em uma modestíssima capital de vida cultural mais modesta ainda, e seu aspecto mais inacreditável é refletir sobre o quanto ele deve ter lido de teatro francês e inglês para chegar, naquele ambiente onde nada sugeria uma carreira de autor teatral, a criar textos de extraordinária validade cênica, textos escritos para o palco e para o ator; por incrível que pareça, tudo o que ele precisava aprender de dramaturgia, de pura e simples técnica de escritura para a cena, ele pôde aprender só com leitura. Para chegar onde chegou, no entanto, Martins Penna teve de fazer opções, e aí é que entra a questão da estética e, uma vez resolvido o problema, a questão da brasilidade. Privado de grandes exemplos de dramaturgia na |