| O TRABALHO DO CRÍTICO A primeira coisa que preciso dizer a todos os que estão aqui presentes é que, em essência, todos aqui são críticos, tanto neste momento, em que vieram com a possível intenção, por exemplo, de saber como eu, que tenho oficialmente o rótulo de crítica, serei capaz - ou não - de justificar minha atividade dentro do quadro geral das atividades nas artes, quanto quando vão assistir a qualquer espetáculo, teatro, cinema, televisão, concerto, exposição de artes plásticas ou o que queiram. Essa afirmação fica comprovada com o fato de cada um de vocês, depois de cada evento desses, efetivamente avalia o que viu, seja ruminando sozinho, seja discutindo na porta do teatro ou sala ou galeria, ou na mesa do bar.Muitas dessas ruminações ou discussões param em um primeiro patamar da crítica, o simples “gostei” ou “não gostei”, sem maiores justificativas; mas quando há conversa, quando há debate, cada um dos muitos críticos presentes vai ter de aprofundar sua argumentação e declarar - muitas vezes o caso será mais de descobrir - as razões dessa reação favorável ou desfavorável: no caso do crítico profissional é claro que não é admissível parar na primeira etapa, pois o crítico tem por obrigação arrazoar suas afirmações, sejam elas de aplauso ou não. Outra coisa que é preciso esclarecer desde logo é que, em quase a totalidade das vezes em que se propõe algum tipo de conversa a respeito de crítica, como esta nossa de hoje, o grupo que se reúne só pensa em termos de crítica jornalística, da crítica um tanto imediata que o crtítico profissional faz pouco depois de assistir o espetáculo, no caso específico do teatro, por exemplo. Mas existem outros tipos de crítica - seja aquela de grande fôlego que, |