ao fim de um longo estudo termina na redação de um livro - sobre uma obra ou um artista, como também a crítica ensaiística, que fica a meio caminho, e que é encontrada em revistas especializadas e que oferecem ao crítico qualquer coisa entre digamos umas dez ou vinte páginas nas quais ele tem a oportunidade de se estender mais e expor em maior detalhe o tipo de raciocínio que o conduziu a determinada posição frente a obra ou o artista em questão. A crítica jornalística é a mais sacrificada, porque em geral recebe dos jornais diários espaço extremamente limitado, que se torna um desafio assustador para a capacidade do crítico, cuja obrigação é ir mais longe do que o simples “gosto”ou “não gosto”.

Qual é a função da critica? Por que razão ela existe? Tenho a certeza de que todos vocês já terão notado, a algum momento da vida, que a extraordinária beleza de um por-de-sol seria considerada absolutamente acadêmica se este fosse passível de crítica: mas não é, porque ele é parte da natureza, e a natureza simplesmente é, ela não foi feita pelo homem. Toda arte, porém, é artificial, quero dizer, ela é criada pelo homem e pode, por isso mesmo ser, por assim dizer, desmontada e remontada, mas principalmente ela pode ser apreciada pela arte, a habilidade, com que foi criada. De certa maneira uma das principais razões da existência da crítica é exatamente a necessidade que tem o artista de ter sua obra analisada e apreciada: não há dúvida de que a apreciação particular de cada um é importante para o artista, mas a palavra escrita, expressão da apreciação da obra por alguém que, para merecer o título de crítico, deve ser informado sobre a área de arte em que ele trabalha. Em uma relação adequada, tive sempre a mais profunda convicção, a função do crítico é dupla: por um lado ele serve o artista, na medida em que esse espectador informado que é o crítico, pode informá-lo sobre como e até que ponto a sua obra “passou”, isto é, atingiu o seu público; e por outro lado então ele informa também o público a respeito dessa mesma obra.

 

 

O TRABALHO DO CRÍTICO pág. 2