OS MELHORES DE 2005 NO TEATRO

Barbara Heliodora

 

 

UM CIRCO DE RINS E FÍGADOS: Gerald Thomas costurou uma grande colcha de retalhos com episódios desconexos aos quais o próprio teatro dava organicidade e sentido. No palco, Marco Nanini exibiu uma das mais brilhantes atuações de sua brilhante carreira. O triunfo da teatralidade e a festa do talento do ator.

 

 
TRIUNFO SILENCIOSO:
Duas atuações de primeira linha (os contidos Edwin Luisi e Herson Capri) e a hábil adaptação de um romance epistolar provaram no palco, em direção de Bernardo Jablonski, o quanto um problema de 60 anos atrás — o nazismo — continua contemporâneo.

 

BAQUE: O texto preciso e enxuto de Neil Labute ganhou tradução fluente de Geraldinho Carneiro e direção de primeira linha de Monique Gardemberg. O resultado foi um espetáculo notável que honrou os palcos cariocas.

 

AVENIDA DROPSIE: Maior atração do riocenacontemporânea, a peça dirigida por Felipe Hirsch só teve duas apresentações no Teatro Carlos Gomes, mas isso foi o bastante para ela marcar a temporada. Um elenco atuando com perfeição marcou um caminho novo e pessoal para o teatro.

 

A DESCOBERTA DAS AMÉRICAS: Dario Fo usou as formas populares italianas para escrever este monólogo. O ator Julio Adrião completou o trabalho com uma obra de ourivesaria que foi uma das grandes interpretações do ano.

 

OS HOMENS SÃO DE MARTE E É PRA LÁ QUE EU VOU: Mônica Martelli abraçou a platéia com simpatia e recebeu o abraço de volta. Um dos grandes sucessos de 2005, o monólogo ganhou o apoio da direção de Victor Garcia Peralta para renovar a história da mulher em busca do homem ideal.

 

O CANTO DE GREGÓRIO: Um festival Antunes Filho animou a programação do segundo semestre, e seu grande destaque foi este trabalho excepcional, que emprestou a indagações filosóficas uma dinâmica cênica constante.

 

LADO A LADO COM SONDHEIM: Competência, charme, alegria e simplicidade formam este musical de bolso criado há mais de 20 anos na Inglaterra em homenagem a Stephen Sondheim. A dobradinha Charles Möeller e Claudio Botelho torna a versão nacional um espetáculo delicioso.

 

DIVÃ: Uma peça inteligente, sem pretensões mas penetrante e divertida na sua criação de um quadro contemporâneo. Lilia Cabral estrelou este estouro de verão, respeitando a capacidade de raciocínio da platéia.

 

MARÍLIA PÊRA CANTA CARMEN MIRANDA: A organização do roteiro e a interpretação de Marília Pêra transformaram este show num musical, mesmo que sem texto. Sem ficar presa à imitação, Marília deixou marcada a idéia de que o que tínhamos ali era uma atriz evocando um personagem.