A NAMORADINHA DO BRASIL

Barbara Heliodora
Jornal O Globo - 24/01/2007

Não é de hoje que a síndrome de mãe de miss é motivo de chacotas, assim como o culto atual do sucesso, para o qual agora já estão sendo aceitos 15 segundos. No entanto, depois do gostoso “Desesperados”, Fenando Ceylão  regride para uma dramaturgia rotineira, com um tipo de humor preso ao passado, mais do que prometendo um futuro,  ao escrever sobre a tola mãe obcecada por um sonhado sucesso alucinante da filha, sem a força e a alegria do texto anterior. Em “Namoradinha do Brasil”  tudo depende de uma única idéia, que se repete mas não se amplia ou se renova: a mãe obcecada tem uma amiga (péssima) conselheira, manda a filha entrar para um curso que leva caras novas para a televisão, tem um desapontamento atrás do outro, não desiste e começa exatamente a mesma coisa de novo.
 
Cenário confuso e trilha rotineira são do diretor

Uma idéia que poderia abrir novos caminhos para a ação, que é a crescente relutância da filha em aceitar viver apenas o sonho da mãe, não é bem apresentada, já que também se repete várias vezes (a jovem nunca consegue fazer a mãe ouvi-la). Aliás, a própria cena inicial do assalto (ou pseudo-assalto) não é aproveitada como valor dramático. O melhor achado da peça é a última “interpretação” de Viviane, com a qual tenta, finalmente, dizer à mãe o que quer, mas esbarrando na barreira na impossibilidade de esta última aceitar o que que seja fora  seu mundo particular de ilusões.

 
A NAMORADINHA DO BRASIL - pág. 1