UM PRAZER TEATRAL QUE JUNTA, COM HABILIDADE, DIVERTIMENTO E CONTEÚDO

Barbara Heliodora
Jornal O Globo - 24/01/2007

No Teatro II do Centro Cultural do Banco do Brasil está em cartaz uma deliciosa explosão musical de queixas contra tudo o que há de podre em certo reino abaixo do Equador. Foi nas Oficinas de Criação de Espetáculo da ONG Pacto Social que nasceu “Dá um Jeitinho aí!”  O texto e as letras das músicas têm, felizmente, uma total falta de originalidade, ou seja, transpõem para o palco, fielmente, tudo o que a imprensa vem revelando com regularidade. O maior mérito do texto e das letras de Rogério Blat é o da denúncia apartidária, que não tenta apresentar soluções de algibeira, restringindo-se à conclusão de que queremos um Brasil novo. E a singela trama é muito bem encontrada, com a criação de um protagonista que fracassa, dá-se mal, é preso, escarnecido, espancado, pelo grave crime de ser honesto.
 
Direção consegue juntar alegria e disciplina

Sendo difícil informar exatamente o tom do espetáculo, o melhor é citar um trecho da primeira canção: “Quase terra de ninguém/Bobo quem não rouba ‘um’/ Do passado e do presente/ Usurpar é lei comum./Na história nacional/Trambique é a tradição/ Impunidade é cultural/ Se dar bem é obrigação”. Nessa linha se dá todo o espetáculo, muito bem encenado por Ernesto Piccolo. Com um elenco de 59 elementos, o cenário de Sergio Marimba é excelente, simples e perfeito para tanta gente poder se movimentar à vontade, enquanto os figurinos de Pedro Sayad e Leonardo Braza são de uma variedade exemplar para que o elenco represente um largo espectro popular.

 
DÁ UM JEITINHO AÍ - pág. 1