| PEQUENOS CRIMES CONJUGAIS Barbara Heliodora Está em cartaz no teatro da Maison de France “Pequenos crimes conjugais", de Eric-Emmanuel Schmitt, de quem já vimos “Variações enigmáticas” (no mesmo teatro). Afirma ele não saber se escreveu uma tragédia ou uma comédia, ao que o diretor acresce as possibilidades de thriller e humor negro. Essa quantidade de possibilidades expressa bem a indefinição do texto de Schmitt, que afinal é apenas mais uma cena de revisão de casamento, com a única originalidade de a mesma ser provocada por uma amnésia pós-traumática do marido. Supostamente um casal intelectual, nada no tom do diálogo chega a confirmar que ele seja um escritor e ela uma pintora. O jogo que vai levando a sucessivas descobertas é um pálido reflexo de “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, pois é muito repetitivo e não traz revelações que sejam realmente significativas. A peça anterior prometia bem mais do que esta nova obra de Schmitt, que é mais do tipo veículo para atores. A encenação é cuidada, embora o cenário de Isay Weinfeld, com seus milhares de livros deitados possa sugerir um casamento conflituado. mas nunca a biblioteca de um escritor. Os dois livros mencionados no diálogo são os únicos que poderiam ser encontrados, em lugares obviamente combinados, já que seria impossível encontrar o que quer que seja naquele caos. |