RASGA CORAÇÃO

Barbara Heliodora
Jornal O Globo - 06/04/2007

Está em cartaz no Teatro Gloria a apaixonada homenagem de Oduvaldo Vianna Filho (Vianninha) à geração heróico-romântica de comunistas que o antecedeu e que sempre gozou da sua preferência ideológica, “Rasga Coração”. Passando em revista, com uma bonita dramaturgia de flashbacks, mais de três décadas de Brasil, a partir da revolção de 1930, a riqueza da peça está em sua apresentação tanto ideológica quanto humana dos conflitos de geração e os dentro de cada geração. A figura de Manguary Pistolão, o “lutador anônimo político” , o grande homenageado, vive ela mesma a cisão entre o rigor ideológico e a luta pelo progresso individual esperado de um chefe de família Entre o implacável otimismo do camarada Camargo Velho e o alegre e irresponsável descompromisso de Lorde Bundinha, Manguary  continua inabalável em sua disciplinadas convicções de organização militante.

Conflito de gerações e de ideologias

A ação se passa essencialmente na casa de Manguary, mas com referências e quase-incursões por outros ambientes, e o núcleo familiar é em si a metáfora do sentido da peça.   Nena,    sua   mulher,   vivencia   o   trajeto

 
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