dificultoso das convicções políticas do marido com dedicação e amor, e o filho, produto de outra era, repudia as crenças do pai, abraçando modas e novidades que julga mais “revolucionárias” do que as certezas paternas, um símbolo das seguidas derrotas dos ideais tão fortemente acalentados. A rígida submissão ao passado ideológico só enfraquece um pouco o fim desse emotivo “Rasga coração”.
Com as “novidades” que mais outras quase três décadas trouxeram, temos de admitir que talvez, a bela peça de Vianninha possa ser quase inaccessível aos jovens de hoje, cujas convicções políticas (ou falta delas) estão muito distantes dos conflitos ideológicos dos anos 30, provavelmente nem sequer sabendo o que possa ser integralismo, por exemplo. Só se pode esperar que a incontestável força do texto possa atravessar esse abismo.
O espetáculo em cartaz está bem apoiado pelo ótimo cenário de Lídia Kosovski, que evoca tanto a época quanto o clima familiar, e pelos figurinos de Ney Madeira. A farta trilha sonora não tem atribuição, tendo por base uma pesquisa do próprio autor, e a luz de Djalma Amaral funciona bem.

Direção torna espetáculo vibrante e atraente
A direção de Dudu Sandroni é uma obra de amor, e se por vezes, acontecem coisas demais ao mesmo tempo, de modo geral faz o espetáculo vibrante e atraente.  O elenco embarca com o mesmo entusiasmo no projeto. Zé Calos Machado (Manguary) e Xando Graça (Lorde) atuam muito bem nos dois papeis principais, mas a discreta e conciliadora Nena de Kelzy Ecard é um trabalho excepcional. Alexandre Dacosta (666),  Alexandre Mofati (Camargo Velho) e Expedito Barreira (Castro Cott) defendem bem seus vários personagens, e Tiago D'Avila está bem no Camargo Moço. Pedro Rocha (Luca) e ainda mais Miriam Róis (Milena) são menos satisfatórios. O fundamental é que o todo funciona muito bem, e “Rasga coração” é, por sua vez, uma bela homenagem a Vianninha.

RASGA CORAÇÃO - pág. 2