Que informações lhe chegam aí no Rio, sobre a atual/produção do teatro baiano? Que espetáculos baianos teve oportunidade de assistir?
A única solução possível para a falta de informação que temos a respeito do teatro que se faz não só na Bahia, mas por todo o Brasil, seria a publicação regular de uma revista sobre teatro, coisa que até hoje ninguém conseguiu fazer por mais de quatro ou cinco números no máximo. Prefiro confessar que desconheço o que vem acontecendo no teatro baiano do que tentar fingir e mascarar essa verdade. Raramente vêm ao Rio espetáculos criados na Bahia; e esses são nosso único contato - mas com a consciência de que isso não expressa, de forma alguma, a atividade geral do teatro na Bahia.

Quais as suas impressões sobre o teatro brasileiro contemporâneo, seus erros e acertos? A senhora acha que estamos, finalmente, reencontrando um redimensionamento do texto dramático, depois de anos de uma espécie de obsessão pela figura do diretor, ou essa tendência ainda perdura?
Há vários diretores importantes, e o fundamental é que haja um número crescente deles, pois só assim poderemos ter cada vez mais bom teatro: alguns têm uma linguagem mais marcadamente pessoal e por isso são mais comentados. O domínio total do "teatro do diretor", que em outros países teve outras origens, no Brasil se afirmou principalmente na época da ditadura, que cerceou a criação do texto. Como os melhores momentos .da história do teatro universal são aqueles nos quais as várias linguagens teatrais se apresentaram com maior equilíbrio. Acredito. que o fim da censura e o difícil ressurgimento da dramaturgia nacional esteja conduzindo o quadro para esse maior equilíbrio.

CONFISSÕES DE UM MITO - A TARDE CADERNO 2 12/09/1995 pág. 2