| Ato Ação março/abril 1997
Por Daniela Fossaluza, Renato Sá Rego e Silvia Nakivitch
Alunos da Escola de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro
Conseguimos. Sim, falamos com Barbara Heliodora. Diante de tantas polêmicas
resolvemos pagar para ver o que esta senhora temida por muitos - tinha
a dizer. Como foi? Leia a seguir.
O que a senhora fez profissionalmente, antes de
se tornar crítica de teatro?
Eu acho que profissionalmente não fiz nada. A primeira coisa
que eu fiz foi fazer crítica de teatro. Depois disso, comecei
a ensinar. Sempre me preocupei muito com a parte de ensino. Eu tinha
feito quatro, seis anos de crítica e daí abandonei para
ir para o Serviço Nacional de Teatro e comecei a mexer no Conservatório.
Foram dois anos de luta para reorganizar o Conservatório. Quando
cheguei lá, você tinha dessas coisas que realmente só
acontecem no Brasil. Uma suposta escola de teatro que era subordinada
ao Mnistério e, no entanto, tinha vida ilegal. As pessoas faziam
cursos que não davam certificados, que não eram reconhecidos
pelo Ministério da Educação, era um caos. Primeiro
tivemos que fazer um levantamento para ver quem é que podia dizer
que ainda tinha um diploma. Mas não tinha documentação
sobre aulas. Os currículos mudavam quase que três vezes
por semana, era um acesso de loucura. Mas finalmente conseguimos tornar
o curso reconhecido. Foi um trabalho muito grande, mas que me fascinou
muito. Ensinei durante 1 5 anos disciplinas basicamente teóricas
no conservatório que hoje é a UNI-RIO. Em 85, me aposentei
e fui chamada para Fazer crítica de novo. Fiquei cinco anos na
Visão e daí passei para O Globo aonde estou faz seis anos.
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