| Qual a sua formação acadêmica?
Basicamente Literatura Inglesa com bastante teatro. Eu fazia Filosofia
aqui e naquele tempo se dava bolsa de graduação. Então
fui para os EUA, e me graduei em literatura inglesa.
Foi através da faculdade que surgiu o interesse
pelo teatro?
Não, o teatro sempre me fascinou muito. Não só
ver teatro, mas principalmente como funciona a idéia de como
é que se monta. Para mim, a coisa mais fascinante é a
transposição de um texto escrito para um espetáculo
cênico, o uso das diferentes linguagens e tudo mais. Eu acho que
os melhores períodos de teatro bom aqueles aos quais os textos
foram muito bons mas com um bom uso de linguagem cênica. Não
é só falar, nem só se chacoalhar. Tem que haver
um equilíbrio para que tudo se some em função do
todo do espetáculo.
Porque fazer crítica de teatro?
Eu acho que é uma parte da atividade teatral como qualquer outra.
Acho que todas as formas de arte têm apreciações
críticas. Me fascina muito o processo teatral e eu acho que quando
escrevo crítica, exatamente o que me interessa é realmente
ver o fenômeno teatral, como ele se realiza etc. Já dirigi
vários espetáculos. Uns 10 ou 1 2 talvez. Mas eu não
procurei, aconteceu um pouco. Eu não sei, eu também gosto
da crítica. Na realidade, a crítica tem uma função
espeacífica. Porque na verdade o crítico é, ou
pelo menos deve ser, um espectador informado. Para fazer crítica
de teatro você tem que ter uma certa base de conhecimento de teatro,
deve ter visto bastante teatro e ter uma visão aberta. Porque
eu acho que você não pode se voltar só para uma
forma de teatro. Então, me interessa ver o teatro como uma coisa
a ser debatida, de maneira que eu acho que a função da
crítica é isso.
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