Revista Bravo 01/03/2005

O Elogio ao ruim é um desserviço

BRAVO!: O que leva uma pessoa de 81 anos a continuar indo ao teatro, mesmo sendo tão crítica em relação à qualidade do que vê?
Barbara Heliodora: Eu adoro teatro. Então, apesar dos pesares, ainda tenho a esperança de que vá acontecer algo. No momento, as çoisas realmente andam muito ruins, sem estímulo. Os próprios patrocínios nem sempre são suficientemente criteriosos, muitas vezes se dá dinheiro para çoisas que não valem nada, e outras coisas que estão esperando desesperadamente para serem bem-feitas, não o conseguem. Acho que precisaria haver mais preocupação com a qualidade. Estamos indo muito por rótulos.

E pelas pessoas (atores, por exemplo) quem têm visibilidade?
Por um lado, isso; Por outro, basta o rótulo "sou brasileiro e experimental". E não tem nada de experimental. Muitas vezes se trata só de incompetentes. Muitos teatros no Rio estão ocupados por çoisas ruins, mas que sempre çonseguem pautas e têm verbas do Estado. Acho que seria preciso avaliá-las e criticá-las, no sentido de análise, e dizer: "Olha aqui, tem alguém para orientar e estimular". O elogio ao ruim é um desserviço. Porque, se você não diz que é ruim, ele vai continuar sendo, crente de que é ótimo.

 
O ELOGIO AO RUIM É UM DESSERVIÇO - REVISTA BRAVO 01/03/2005 pág. 1