É o
que às vezes o (crítico de teatro e animador cultural) Paschoal Carlos Magno fazia? Dizia-se que ele era um pouco paternalista...
Era muito. Ele dizia: é preciso estimular esses moços. Eu brigava muito çom ele. Conheci o Paschoal quando eu tinha 6 anos, Ele dizia que eu era muito exigente, O maior choque da minha vida de crítica foi quando conversei com um rapaz que conheço da Funarte e reclamei ao ver o nome do Ministério da Cultura no programa de uma çoisa abominavelmente ruim. Eu disse: "Como é que o Ministério da Cultura põe a sua chancela?". Ele,me respondeu que o Ministério da Cultura hão podia se preocupar com qualidade, porque isso era inconstitucional... Bem, acho que isso é o fim. Então é um ministério assistencial?

Os maus espetáculos traumatizam quem vai ao teatro?
Sempre digo que, hoje, época em que o preço do ingresso do teatro profissional está mais alto, um mau espetáculo cria um voto de castidade por dois anos. Prejudica todo mundo. A pessoa não perdoa.

A que a senhora atribui essa "falta de nível"?
Fala-se de talento. Talento? Se não houver formação, disciplina, conhecimento, fica difícil. Ator tem de ser informado, diretor tem de ser informado, não só ficar dentro do grupinho. Acho que essa desinformação estimula a se ficar satisfeito çom qualquer coisa.

O ELOGIO AO RUIM É UM DESSERVIÇO - REVISTA BRAVO 01/03/2005 pág. 2