Jornal do Comércio de Recife 17/08/2005

Ela é Bárbara
Paulo Sergio Scarpa

Crítica teatral Bárbara Heliodora defende profissão ao dizer que o maior desejo do crítico é que os espetáculos sejam bons: “Tudo seria mais fácil se não começassem por Shakespeare”

“Sou apenas uma crítica de teatro”, respondeu Bárbara Heliodora, ao ser questionada se preferia o estruturalismo, a semiótica ou a metalinguagem como método para escrever seus textos. Ela abriu anteontem à noite o Seminário de Crítica Teatral – Pensamento e Cena, realizado pela Renascer Produções, no Teatro Capiba, do Sesc Casa Amarela, com uma declaração de amor ao teatro, aos 81 anos e após 15 escrevendo para O Globo: “O fundamental mesmo é gostar muito, adorar teatro, porque se anualmente eu vejo uma média de 90 a 100 espetáculos, um percentual altíssimo é de má ou péssima qualidade, e só um amor implacável ao teatro é que mantém o crítico ainda disposto a continuar a considerar o teatro uma arte e a freqüentar, melhor dizendo aturar, um número assustador de coisas”.
Bárbara mostrou saber, também, o porquê de ser, entre os críticos brasileiros, a mais temida e a mais adorada. “Todos os que estão aqui presentes são críticos”, justificou a uma platéia atenta de jovens atores e diretores, futuros críticos e produtores teatrais. “A crítica, explicou, está presente em todas as pessoas, do simples “gostei” ou “não gostei” a uma dissertação mais elaborada e na crítica jornalística”.

No caso do crítico profissional, explicou, ele tem obrigação de “arrazoar suas afirmações, sejam elas de aplauso ou não”. Mesmo que esse crítico seja obrigado, por profissão, a escrever seu comentário logo após o espetáculo, sem

 
ELA É BÁRBARA - JORNAL DO COMÉRCIO DE RECIFE - 17/08/2005 - pág. 1