pelo simples prazer da destruição através da ignorância", lamenta. "Ao mesmo tempo, confesso que simpatizo com ela. São as contradições de um artista." De seu lado, a acusada diz que jamais fez críticas pessoais a ninguém. E ainda completa: "Falo pouco. Se fosse escrever o que realmente acho, seria pior" .

A malquerença da classe artística não a derruba dos postos que ocupa. Barbara é a maior conhecedora da obra de Shakespeare no Brasil, e é também figura importante na história do teatro nacional. Pode falar mal sem dó, mas sabe do que está falando. "Ela não tem preconceitos, sabe que dramaturgia não é uma coisa intocável", defende Miguel Falabella - ele mesmo alvo de algumas pedradas. De fato, as acusações de conservadorismo são contestáveis. Barbara foi a primeira a elogiar a comédia Cócegas - então encenada numa minúscula sala do Rio de Janeiro e hoje sucesso nacional. É também fã do teatro besteirol dos anos 80 e do moderninho Romeu + Julieta, filme com Leonardo DiCaprio.
De novidades tecnológicas, ela também não tem medo. Usa o computador, troca e-mails e compra livros pela internet. Vê, em média, três peças por semana. Além das críticas, faz diversas traduções do inglês. A fluência vem dos três anos de estudos de literatura inglesa na University of Connecticut, nos Estados Unidos. Foi lá, entre 1941 e 1943, que surgiu sua paixão por Shakespeare e pelas artes cênicas. Quando voltou para o Brasil, casou-se, teve filhas e chegou a ensaiar uma vida como dona-de-casa. "Não deu certo, não era para mim" , diz. Logo começou a trabalhar com teatro, e assim faz até hoje. A seus desafetos, um aviso: Barbara está em ótima forma, e não pensa em se aposentar tão cedo.

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