Lições de Shakespeare aos Governos
entrevista concedida a Roberta Oliveira Jornal O Globo Caderno Prosa e Verso
10 de dezembro de 2005

Barbara Heliodora diz não ter um “shakespearômetro”, um aparelho para medir quem, no Brasil, tem um conhecimento maior a respeito da obra de William Shakespeare. Mas não tem dúvidas quando o assunto passa de mero conhecimento para paixão.

 — Sou presidente do fã-clube de Shakespeare — diverte-se a crítica de teatro do GLOBO, que no dia 13 lança, na Argumento, uma nova edição de “O homem político em Shakespeare” (Editora Agir).

Como foi o primeiro encontro com Shakespeare?
Minha mãe me deu um volume com as obras de Shakespeare quando eu tinha 12 anos. Não me lembro qual foi a primeira peça que li, mas hoje eu teria muita vontade de ler o “Hamlet” pela primeira vez. É claro que toda vez que lemos descobrimos mais, mas queria descobrir como seria o impacto de ler pela primeira vez. O que é mais fantástico em Shakespeare é que o vocabulário é imenso, 29.600 palavras, e muitas são usadas pela primeira vez impressas na obra dele. No entanto, tem uma linguagem acessível. Este é o grande segredo dele.

Como você chegou neste recorte de análise, “O homem político em Shakespeare”?
O teatro me interessa não só como espetáculo, mas também como ele funciona. Foi isso que fiz com as peças inglesas históricas no livro, ver por meio daquela estrutura o que Shakespeare queria. Escolhi este recorte porque todos, quando falam em teatro político, pensam em Piscator ou Brecht, que são catequizadores, querem vender uma idéia, uma visão, é uma política partidária. E o que acho fascinante em Shakespeare é que ele nunca é partidário, mas ele vê

 
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