A SENHORA TERRÍVEL - Crítica teatral mais importante e temida do país completa 80 anos, carregando a mesma certeza de não ser condescendente com peças ruins

Ricardo Miranda - Revista Isto É - 10/09/03

Se fosse uma personagem, correria o risco de incorporar o arquétipo da velha senhora se equilibrando numa cadeira de balanço, óculos de grau na ponta do nariz, crochê nas mãos e novela na televisão. Mas, na vida real, a carioca Barbara Heliodora, 80 anos comemorados no dia 29 passado, é tudo, exceto um clichê. Em boa forma, a memória afiada desfiando o imenso conhecimento de sua maior paixão, o teatro - junto com o bisneto Pedro, de um ano e cinco meses -, Barbara é como a obra de Shakespeare, da qual é a maior conhecedora no País. Ou seja, quanto mais o tempo passa, melhor fica. Arriscando-se na juventude em papéis como os de uma árvore numa montagem de Chapeuzinho Vermelho, para depois descobrir sua falta de vocação para o palco, passando pelos estudos de literatura inglesa na Universidade de Connecticut, Estados Unidos, e pela experiência de algumas direções, nos últimos 45 anos Barbara Heliodora desempenha o papel da crítica teatral mais respeitada e temida do País.
Seus textos, publicados nos principais jornais do Rio do Janeiro e nos últimos 11 anos em O Globo, atingem amigos, inimigos involuntários, mas nunca erra o alvo. Entre as cabeças coroadas que acertou com _ua sinceridade pesada estão a da atriz Marília Pêra e dos diretores Ulysses Cruz e Gerald Thomas, de quem recebeu uma chuva de impropérios verbais e, logo depois, um pedido de perdão. Três vezes mãe, quatro netos,um bisneto e dezenas de vasos de rosas e margaridas espalhados  pela  varanda  de  seu  casarão  no  magnífico  Beco  do

 
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