| Há algum tempo existiam críticos
marcantes, como o pessoal da geração Clima, a turma de
Décio de Almeida Prado, Paulo Emílio Salles Gomes, Antonio
Candido... Existiria hoje um problema de formação dos
jornalistas, que não estão preparados para exercer a critica?
Há alguns problemas. Acho que a descontinuidade do teatro com
o problema da censura fez com que também a crítica fosse
sacrificada por que não se podia dizer nada. Acho que o crítico,
dentre outras coisas, tem de ter um longo hábito de ir ao teatro.
O hábito é que te dá uma perspectiva mais ampla.
A formação do crítico não é meramente
teórica. Acho que ela tem essa parte prática de vivência
teatral. Eventualmente, novos críticos vão aparecer também
na base da experiência de ver muito teatro.
Como a senhora situa a crítica teatral
no jornalismo?
Toda crítica deve ter como objetivo uma iluminação,
um esclarecimento do texto, do espetáculo de teatro. Um aspecto
da crítica jornalística está ligado aos criadores
do espetáculo, na medida em que a reação do crítico
deveria ser para eles uma informação a respeito de como
é que o espetáculo chega a um espectador informado. Sim,
porque o crítico é um espectador informado. Por outro
lado, informa ao espectador o que esperava do espetáculo. De
modo que acho que a função do crítico é
dupla. Tem relação com o espectador e com o criador.
O que a senhora considera interessante no
cenário atual do teatro brasileiro?
A capacidade que ele tem de renascer. É um teatro que tem lutado
contra tantos. Acho uma injustiça o tanto que o teatro é
discriminado em relação por exemplo ao cinema. O governo
parece que só está interessado em dar dinheiro para o
cinema. Se esse dinheiro é bem usado ou não já
é outro problema. Mas o teatro ficou
muito
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