Manchete 3 / 01/ 1998

Barbara e o Bardo

A crítica teatral Barbara Heliodora lança um livro em que analisa a obra do poeta inglês William Shakespeare e comenta a febre de novos filmes baseados em suas peças.
A mais polêmica e feroz crítica brasileira desdenha os ataques que sofre de alguns diretores e confirma seu amor pelo teatro. “É sempre uma alegria”.
MAURO TRINDADE
Os diretores de teatro deveriam tomar mais cuidado com Barbara Heliodora. Muito antes de se tornar a mais polêmica crítica teatral brasileira, ela espetava os adversários na ponta do tlorete. "Fui esgrimista pelo Fluminense. Fiz muito esporte", conta com um sorriso solar. Terror dos atores e diretores, que gelam ante os cáusticos comentários que destila, Barbara Heliodora é, na verdade, uma mulher de extraordinário bom humor e simpatia. Especialmente quando fala de sua paixão maior, o poeta e dramaturgo William Shakespeare. A obra do escritor inglês é analisada no seu livro Falando de Shakespeare (Editora Perspectiva), cujo lançamento coincide com uma febre de filmes baseados em peças do escritor.
"Sempre brinco com as pessoas que me perguntam por que eu gosto de Shakespeare. E eu respondo: você já leu?", diz antes de explodir numa gargalhada. Ela leu e muito. Desde os 12 anos, quando ganhou da mãe seu primeiro livro do poeta. De lá para cá, se especializou de tal forma no assunto que já verteu para o português 14 de suas peças.

 
BARBARA E O BARDO - MANCHETE 3 / 01/ 1998 pág. 1