Entrevista concedida a Lilian Fontes e Leonel Kaz
Rio, outubro de 2003, Revista Rio Artes

A crítica que é criticada, aos 80 anos, coloca em ebulição suas deliciosas receitas de teatro e arte

Sexta-feira, a tarde no Largo do Boticário é diferente. Ali pertinho nasce o rio Carioca. O Largo é atravessado pelo rio, entre jaqueiras e mangueiras frondosas. As casas ficam olhando o rio, elas foram construídas, na década de 1940, com as sobras de demolição de igrejas e casarões do Centro da cidade - que foram abaixo para dar lugar à avenida presidente Vargas. Nós ficamos olhando as casas e o rio, enquanto conversavamos, ao abrigo da varanda e da sala de Barbara Heliodora, que mora na outra face do rio Carioca. . Toco um basset preto, veio - como convém a cães - cheirando e latindo uma mistura de ciúmes da patroa com vontade de conhecer os novos amigos. "Toco é muito gaté" disse Barbara explicando que o cão mandava e desmandava na casaconforme lembra a expressão francesa que se refere a crianças. Toco se acomodou no colo de sua dona e, com sua aprovação e olhar complacente, iniciou-se a conversa.

Como surgiu o seu interesse por teatro?
Teatro, toda criança gosta porque o "faz-de-conta" é uma coisa básica da vida. Só que eu continuei gostando de teatro. Eu fui me tornar crítica porque eu sempre gostei de futucar, analisar o texto. Sempre digo que olho o texto teatral como uma criança que abre a barriga do ursinho para saber o porquê de aquele brinquedo fazer cuo cuo

 
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