cuo. Esta necessidade de analisar eu aprendi quando ganhei uma bolsa para estudar nos Estados Unidos; eles são muito mais objetivos que os brasileiros, ao menos em termos de análise. A quantidade de estudos era imensa! Quando fiz o curso de "história do teatro inglês até 1642", eu li num semestre 22 peças medievais e 26 elisabetanas.,.. Lá não tem perdão! A idéia é analisar o texto, pensar em como foi construído, como a linguagem funciona, como a vida cênica nasce daquele diálogo, etc. Aqui é diferente. Eu mesmo, quando dei aula na Unirio, quando pedia quatro a cinco peças para os alunos lerem no semestre, eles já se quedavam exaustos. Sempre digo que o maior milagre de uma peça teatral é você ter uma página escrita e transformá-la num espetáculo: este é o fenômeno que considero o mais fascinante do teatro.

Você iniciou nossa conversa falando de criança.Você se sente uma criança; você é olhada ou vista como uma criança muito brava?
Não sei por que as pessoas falam que eu sou brava. Eu não sou brava. Eu me lembro que desde quando comecei a fazer crítica, eu tinha grandes discussões com o Pascoal Carlos Magno. Sabe por quê? O Pascoal dizia, "eu preciso entusiasmar estes meninos"; e eu dizia: "se você vê que alguém está fazendo uma coisa errada e você elogia, ele vai continuar fazendo a coisa errada; então, você está trabalhando contra ele." Minha posição é esta: se está errado você precisa dizer isto, exatamente assim, para ajudar a pessoa a procurar o caminho certo. Eu não acredito que o estímulo seja dizer que o ruim é bom. O estímulo é tentar esclarecer.

Na entrevista para a Marília Gabriela, você dizia que "ser de vanguarda é fácil, o difícil é ser conservador... "

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