| VEJA - A senhora tem idéia do ódio
que seu trabalho de crítica desperta no meio artístico?
.
BARBARA - Não é meu desejo, nem tenho ódio de ninguém.
Acho uma reação exageradamente emotiva. Afinal, o que
é o crítico? Suponho que seja o espectador informado.
Torço para que os espetáculos sejam ótimos. Eu
adoro teatro. Se a peça é boa, eu me entrego de pés
e mãos atados, fico babando, acho uma maravilha. Existem muitos
talentos no teatro brasileiro.
VEJA - Em março, durante á festa de
entrega do Prêmio Shell de Teatro, a simples menção
de seu nome provocou uma estrondosa vaia dos artistas. Como a senhora
reagiu à vaia?
BARBARA - Eu estava no hospital com pneumonia. Uma das minhas filhas
foi lá e ficou indignada. Eu disse a ela: veja de outro modo,
olhe o prazer que eu dei para aquela gente. Falando sério: tenho
consciência absolutamente limpa de jamais ter perseguido um ator
ou diretor. Quantas vezes um ator que achei ruim numa peça acho
bom em outra e faço questão de registrar a grata surpresa.
Não tenho marcação com ninguém. A reação
mais lógica seria dizer que minhas críticas estão
erradas por isso ou por aquilo, que sou gorda, que tenho um olho verde
e outro amarelo. Agora, vaiar...
VEJA- Mas os elogios, especialmente nos últimos
tempos, são raríssimos. É a senhora que não
gosta de nada mesmo ou o teatro brasileiro que está numa fase
ruim?
BARBARA . O teatro anda fracote. São poucos os espetáculos
bons. Este ano fiquei comovida com Vau da Sarapalha, adaptação
de um conto de Guimarães Rosa, que está sendo encenada
no Rio, pelo grupo Piollin, da
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