A crítica, professora, ensaísta e tradutora Barbara Heliodora é, acima de tudo, um bicho de teatro. Na juventude ensaiou o papel de atriz em espetáculos amadores. Exerce a crítica teatral há pelo menos quatro décadas. Professora e conferencista, transformou a admiração por William Shakespeare em uma renovada descoberta de toda a vida. E o desejo de recriar em imagens, as páginas de um texto teatral é um exercício bissexto, mas nunca totalmente esquecido, de acrescentar à vivência do teatro a atividade de diretora. Barbara Heliodora demonstra paixão pelo teatro nessas diversas formas de apropriação da cena, que, a seus olhos, nem sempre recebe tratamento respeitoso daqueles que a praticam. A severidade da crítica, muitas vezes confundida com mau humor, na verdade é a expressão de alguém que revolve as entranhas dos mecanismos cênicos como uma inesgotável aventura do conhecimento. O teatro é o veículo através do qual esta senhora muito divertida e cheia de vitalidade intelectual busca a multiplicidade da experiência humana milenarmente refletida nos palcos.

Você ensaiou ser atriz em um determinado momento da sua vida. Se tivesse persistido, teria sido uma boa atriz?
Não, sou péssima. A mim, sempre me fascinou muito mais o funcionamento do teatro. Acho que, se não fosse critica, gostaria de fazer direção, porque é uma atividade muito parecida com a crítica. A pessoa, para ser ator, tem de ter um grande prazer quando olham para ela. Para mim, ficar no palco é muito desagradável. Foi interessante a experiência no Tablado na medida em que era amadora, mas aprendi muito sobre o processo de ensaio. O fascinante no teatro é passar da página escrita para a realização no tempo. Esta é a maravilha do teatro: ter o potencial de um espetáculo numa página escrita.

 
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