| Mas exatamente por que a crítica
e a direção são muito parecidas?
Porque depende de você analisar um texto, de saber como funciona.
É preciso entender a maquininha. É claro que na crítica
não existe a fase criativa de pôr aquilo em pé.
A análise de texto me fascina muito. Sou péssima leitora
de romances, porque, por uma deformação profissional,
quando o autor começa a descrever o pôr-do-sol, eu pulo.
Estou muito mais presa ao diálogo. Na peça de teatro,
tudo está no diálogo.
Muito recentemente, você se interessou
por dirigir um espetáculo. Se tivesse essa disponibilidade, que
o exercício da crítica impede, o que gostaria de encenar?
Vários textos. Agora a Casa de Artes de Laranjeiras (CAL) me
convidou para dirigir um espetáculo - no ano passado, fiz Um
homem chamado Shakespeare, e esta mos conversando para fazermos este
ano Um homem chamado Tchecov. Mas estou lendo um volume de peças
chinesas do século 13 que, de repente, pode ser interessante
para alunos de teatro. É um livro que tem seis peças,
estou na quinta, e, até agora, o que acontece é o seguinte:
há uma pequena trama bastante ingênua, até que chega
uma pessoa que era parte do desenvolvimento da narrativa e que conta
tudo aquilo que já tinha sido visto até aquele momento.
Aí me ocorreu levar os alunos do Centro das Artes de Laranjeiras
(CAL) a aproveitar essa narrativa e fazer uma parte dela em mímica,
em pantomima, narrar só em pantomima tudo o que já foi
feito. Gosto da idéia de fazer algo diferente e de procurar um
estilo para fazer um espetáculo como esse. Mas não tenho
idéia para dizer "Ah, eu quero dirigir isso", não
gasto meu tempo com isso.
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