Revista “Victoria” novembro de 1995
Entrevista de Novembro Barbara Heliodora

Ela tem 72 anos recém festejados. Ele morreu há quase quatro séculos. Mesmo assim, protagonizam um romance eterno que faz da crítica teatral Bárbara Heliodora Carneiro de Mendonça a "senhora Shakespeare". crítica teatral, tradutora e ensaísta reconhece que a paixão é platônica: "Shakespeare só teve um caso de amor: com a humanidade."

Crítica implacável, ela não corresponde à imagem do dragão verde soltando fogo pelas ventas. Barbara Heliodora tem a placidez das pessoas que sabem o que dizem.Enfurnada na sua vasta biblioteca, ela é a imagem da intelectual, mas, nos finais de semana, cozinha para os amigos, coleciona receitas e no Natal costura vestidinhos de casinha-de- abelha para as netas.

Sua paixão por Shakespeare determinou seu trabalho como crítica?
De certa forma sim. Shakespeare não era hermético. Preenchia um teatro de duas mil pessoas, com níveis de cultura e de percepção diferentes, e todos entendiam. Ele escreve de uma forma que leva o espectador a entender o texto. É um autor contemporâneo, movido à curiosidade pelos mecanismos humanos, que não mudam com o tempo. Ele vai acima do fortuito e fala de coisas difíceis, mas a forma usada leva à compreensão da situação.

 
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