O teatro brasileiro vive uma crise de bons textos. É por falta de tradição?
O teatro é uma coisa tardia. Uma forma muito complexa, que exige domínio de técnica. No Brasil na década de 20 já havia o romance, a poesia, mas não tinha grandes concentrações urbanas nem classe média que sustentasse o teatro. A classe intelectualizada brincava de estar na Europa e só ia ao teatro quando os grandes nomes internacionais vinham por aqui. Além disso não herdamos a tradição de textos teatrais que os americanos herdaram dos ingleses. No Brasil não tivemos Shakespeare como os ingleses, ou Corneille, Racine e Moliere como os franceses. Só tivemos um autor clássico, Gil Vicente. Só na década de 40, com Nelson Rodrigues, é que se pode falar em teatro moderno brasileiro. Nos anos 50 temos a explosão dos autores regionais e o Teatro de Arena. Depois o marasmo.

Essa conta negativa também pode ser creditada aos anos de ditadura?
Barbara - É claro que a censura foi um golpe letal na produção de textos nacionais. Escritores deixaram de escrever e possíveis novos talentos não tiveram espaço para se mostrar. Quebrou uma evolução. O fim da censura deu margem àquele período terrível em que tudo o que tinha sido censurado, mesmo que tenha sido uma droga, foi encenado com aquele chavão do "enfim liberado pela censura". A censura foi substituída pela crise econômica.

Continuamos então uma nau sem rumo na produção de textos?
Pressinto uma época de efervescência. Não conheço ninguém de teatro que não esteja procurando um bom texto brasileiro. Apesar da crise econômica, em que a quantidade de monólogos e  peças  de  dois  personagens   é uma

REVISTA VICTORIA, NOVEMBRO DE 1995 pág. 2