impedindo-a de ver e criticar A Dama do Mar, de Henrik Ibsen, o novo espetáculo que está dirigindo. Não escondeu, inclusive, que sonhara com o dia da bravata e colecionou na seção de cartas apoios de colegas antes de zarpar na semana passada para Lisboa. Barbara não perdeu a pose. "Não odeio ninguém. Se os outros me odeiam dessa forma, o que eu posso fazer?"
Quem sabe, só para relaxar, ovos mexidos à moda belga. O segredo que aprendeu com a mãe, Ana Amélia, uma mulher com dotes intelectuais e personalidade forte como a dela, está na técnica de mexer. Esparramam-se os ovos numa frigideira fria. Só depois acende-se fogo brando e bate-se, devagar e sempre, até que a mistura vai ganhando uma consistência cremosa como se à clara e à gema fosse adicionado um tantinho de leite. "É uma delícia", ela garante. A atriz Jacqueline Laurence, amiga de longa data, nunca provou, mas já experimentou outros quitutes de suas caçarolas e atesta o talento culinário. Por trás do texto sóbrio, burilado e tantas vezes contundente das críticas que escreve, está uma senhora afeita à vida familiar - divide o sobradão do Cosme Velho com duas das três filhas e três dos quatro netos - que, se tem muitas amarguras, raramente as deixa entrever. Está sempre de bom humor e cultiva livros, música e hábitos sedentários. "No século XVIII eu fazia esgrima e nadava pelo Fluminense, mas hoje em dia não faço mais nada." Nada significa nenhum mísero exercício para ventilar pulmões intoxicados por trinta anos de nicotina e debilitados por catorze pneumonias. "Espero ansiosamente pela sua próxima pneumonia e faço votos de que ela seja a derradeira", rogou praga em 1993 Gerald Thomas, autor de um teatro de exuberância formal e sem compromisso com o nexo, que a considera uma "crítica vira-lata".
"O Gerald é um bom encenador, mas quando se mete a escrever é um desastre", rebate no estilo característico, que mantém a firmeza da voz para pronunciar as palavras mais brandas e desce ao sussurro quando solta as pancadas mais fortes. "Não tem nada para entender no teatro de Gerald Thomas. Aquilo é um horror, um monte de

VEJA RIO pág. 2