Conheço poucas Barbaras, mas conheci uma, a Barbara Heliodora, qaue vale por muitas. Em primeiro lugar, porque a conheci ainda jovem, muito jovem, ainda não casada, nem mãe. Depois a conheci casada, associada ao movimento do Paschoal Carlos Magno, já apaixonada por Shakespeare e, de repente, não mais que de repente, entrando em cena ao meu lado como rainha Gertrudes no Hamlet do Teatro do Estudante, quando a peça estreiou em São Paulo, no Municipal de lá.
E logo conheci a Barbara futura mamãe ... da Patrícia Bueno. Eu lembro: Barbara e eu, Claudius e Gertrudes subindo os degraus do cenário de Pernambuco de Oliveira e ela descobrindo - "Sergio, estou enjoada, acho que estou grávida". Estava. E teve que ser substituída, e foi, por Cacilda Becker.
A amizade não parou, a gente se visitava, em Minas, no Rio, onde nos encontrássemos. A Barbara se tornou crítica. Impiedosa, impiedosa não, justa, dizendo sempre o que pensa, sem ficar em cima do muro. Concordar sempre com ela, não é obrigatório, o difícil é não admitir que quase sempre ela está certa, completamente certa. Houve uma fase na classe teatral que o "slogan" principal era "acabemos com a Barbara". Bobagem, coisa da nossa vaidade, vaidade de quem se exibe e fica à flor da pele. Conheci críticos de teatro que admiro, como Décio de Almeida Prado, Sabato Magaldi, Ian Michalsky, mas de nenhum deles, recebi uma "correção - sugestão você podia fazer assim", melhor do que a Barbara fez quando, em 65, criei pela 1ª vez "Querido Mentiroso" ao lado de Nathalia Timberg. Ela me disse assim: "Olha não teatraliza não, diz apenas o texto, o humor de Bernard Shaw está todo na palavra, diz só, não precisa mais nada". Baseado nessa "sugestão", melhorei muito meu Shaw e acho que acabei fazendo-o bem, com a justeza da palavra e o sabor do humor teatral do mestre. O tempo passa, a amizade continua, ela às vezes, me arrasa. Nunca exagera nenhum elogio a meu respeito, só abriu mais o coração quando eu fiz "Sérgio 80" e ela achou o momento mais emocionante da temporada de 2003. Nesse "Sérgio 80", estava tudo o que eu aprendi de teatro, toda a vida com Sérgio Cardoso, Paschoal, Dr. Harnis C H, Ruggero Jacobbi, Ademar Guerra, Amir Haddad, Jorge Lavelli, José Renato e o Teatro de Arena, Giannirato, o meu mestre maior, Kusnet, Victor Garcia, Gerald Thomas, Naum Alves de Souza, os meus sócios amigos Paulo e Mimina, toda a minha vida que ela acompanhou, e na qual estava incluída sempre como amiga, espectadora, crítica, companheira fiel, no amor que dedicamos ao teatro. Dona Barbara, tenham a certeza, ama o teatro. O bom.

Sergio Brito

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